Portfólio Literário

Fernanda de Aragão [e Ramirez]. Mestre e doutora pela UNICAMP, desenvolve pesquisas em psicanálise e esporte. Arte-experimentadora, criou o projeto Diz-Quetes, e outros, junto ao Letra Corrida, ateliê de Literatura e Criatividade. Escritora, posta no Cinco de Outubro. Seu primeiro livro, Língua Crônica, foi premiado pela União Brasileira de Escritores. Alegre e inquieta, registra seus devaneios sobre Divulgação Científica no Polegar Opositor e colabora com o Jornalirismo. Edita os fanzines “Vestindo Outubros” e “Sujeito Simples”. É paulistana de nascimento. Em conjunto com amigos criou o blog Ser-Tão Paulistano. “Fê.liz”, se diz mais “Fê.bricitante” do que “Fê.menina”.

7.2.13

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural

O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), mantém o Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural que financia viagens de artistas e grupo de artistas.

Objetivo

Promover a difusão cultural por meio do intercâmbio nas áreas das artes visuais, do circo, da dança, do teatro, da música, do audiovisual, da memória, do movimento social negro, do patrimônio museológico, do patrimônio cultural, das novas mídias, do design, de serviços criativos, das humanidades, da diversidade cultural e de outras expressões culturais consideradas relevantes pelo Ministério da Cultura.

Objeto do Edital

Constitui objeto deste edital a concessão de recursos financeiros para o custeio de despesas relativas à participação de artistas, técnicos, agentes culturais e estudiosos em atividades culturais, promovidas por
instituições brasileiras ou estrangeiras, de reconhecido mérito, com a finalidade de:
(a) apresentação de trabalho próprio, inclusive quando em participação em evento de reconhecimento ao trabalho próprio desenvolvido (premiações e homenagens);
(b) residência artística;
(c) cursos ou atividades de capacitação nas áreas da cultura e demais setores criativos.

Fase de Habilitação

A fase de habilitação é a primeira do programa e consiste no exame das inscrições apresentadas, de acordo como requerimento preenchido e enviado, por meio do sistema SalicWeb, bem como a adequação da candidatura às regras e condições estabelecidas no edital.

Condições de Habilitação

* Ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no Brasil.

* Ser pessoa física, grupo ou instituição cultural privada sem finalidade lucrativa.

Avaliação e Seleção

Os requerimetos, depois de habilitados, são submetidos à uma segunda etapa, que é a fase de avaliação e seleção, cuja comissào é composta por representates do MinC e suas vinculadas (Funarte, Ibram, Iphan, Casa Rui Barbosa, Ancine, Fundação Cultural Palmares e Fundação Biblioteca Nacional).

As candidaturas são avaliadas e pontuadas de acordo com os quesitos do eixo escolhido. Os requerimentos recebem bonificação em sua pontuaçào conforme os critérios estabelecidos no edital. O resultado dos selecionados é divulgado no site no Ministério da Cultura.

Prazos e Cronograma de Envio das Propostas (viagens entre março e agosto de 2013)

19.01.2013 - viagem prevista para março de 2013
21.02.2013 - viagem prevista para abril de 2013 
13.03.2013 - Viagem prevista para maio de 2013
02.04.2013 - Viagem prevista para junho de 2013
14.05.2013 - Viagem prevista para julho de 2013
24.06.2013 - Viagem prevista para agosto de 2013

Para viagens no segundo semestre de 2013 é preciso aguardar novo edital.

Acesse aqui o Edital de Intercâmbio 1/2013
Acesse aqui o Guia com Informações Gerais e Dicas de Participação



7.1.13

Palavras no bico


Tem quem prefira chutar lata, chutar balde, chutar o pau da barraca. É no texto que eu chuto tudo. Nele eu ponho palavras na marca do pênalti, sentenças que não aconteciam para dentro de mim. Um se fazer depois, da realidade de antes.
- Você é inédita! - Uma amiga veio com essa, noutro dia em que eu resolvi lhe mostrar o livro, com textos que eu escrevo, e gosto, e invento. Pequenas cenas flagradas dos lugares por onde ando. E de onde acrescento, acrescento, acrescento. Qualquer coisa a mais. Um cenário com detalhe de outro. Ou com uma parte a menos, também diminuo quando é preciso à existência. Dos personagens, digo. Ali, a brandir no imaginário, um enxerto, uma valsa.
- Tal como a vida! – Respondi, deixando o silêncio das escritas para o cotidiano que reconstruo, letra por letra, palavras escolhidas, coisa de cronista. Sou eu, sim, mas também não sou eu, naquelas linhas, item por item. O fato é que há um puro de mim que não existia antes do texto e, agora, não se sabe qual é a verdade na ficção. Deixo o jogo da descoberta para o leitor. Sempre ele, para quem escrevo do lugar em que assumo.
E para essa gente toda eu confesso: não é nada disso, não tem nada a ver. É como se o escrever fosse um brinquedo que retorce a realidade sem distorcê-la. Eu, em vez de escolher palavras amenas, escolho algumas para fora de contexto. Puro prazer de criar, e modificar. Alguém disse, um dia, que escritor tem dessas. Liberdade de qualquer coisa, poética, estética, visual, com palavras. As minhas eu gosto de por na boca do gol e dar de bico, para que caiam sem defesa. 

18.10.12

O Jabuti, ah esse Jabuti...

Não restam dúvidas de que todo prêmio literário é subjetivo. Mostram resultados ditados pelo gosto da banca examinadora. Esta banca examinadora às vezes evidencia a voz de uma mídia, às vezes uma voz política, às vezes as duas coisas juntas. E tem também os grandes herois, e os grandes vilões. Neste caso os herois de uns serão os vilões de outros.

Ontem, dia 18, foram revelados os vencedores do Prêmio Jabuti 2012. E mais uma vez a polêmica do julgamento. O Jabuti, ainda respingando o bafafá Leite Derramado x Editora Record, encontra, nessa 54a edição um jurado - heroi ou vilão, ainda não se sabe ao certo - que resolveu se utilizar de um regulamento falho para favorecer a linhagem "escritores estreantes". Assim, deu nota próxima de zero aos favoritos e próxima de dez às zebras. Evidentemente deixou clara a sua manipulação. 

Heroi ou vilão, esse jurado, com tal atitude, colocou o Prêmio Jabuti na berlinda. Para desmoralizar, talvez, não se sabe, deixo aos jornalistas de plantão a tarefa desta investigação. Para criticar todo o processo de julgamento literário, talvez, independente do Jabuti em questão. Para levantar uma bandeira contra o mercado livreiro, talvez, contra esta voz midiática ou esta veia política que determina quem deve ser lido e quem não deve ser lido, ou tudo isso no mesmo pacote. O fato é que ele quis provocar, sim, e conseguiu. Quis chamar a atenção, sim, e conseguiu. 

Fico eu aqui pensando: fosse eu a autora do romance vencedor, resultado então manipulado por esse heroi ou vilão, como eu me sentiria tendo minha obra não julgada pelo seu conteúdo, mas por minha posição acionária de "escritora estreante". Será que este jurado tem este direito de me colocar num patamar político que sequer eu imaginei que poderia existir? A subjetividade diz que sim mesmo se tudo parecer um despropósito, mesmo que este heroi ou vilão tenha cometido tal atitude com muito, mas muito propósito mesmo.

O que é inegável é que o Jabuti começa a ficar abalado. 

E o jabuti começa a ficar abalado na sua estrutura subjetiva.





30.7.12

Ajuda e dicas sobre a Bolsa Funarte / Biblioteca Nacional de Criação Literária

Desde que escrevi no blog da Raquel Cozer que havia recebido a Bolsa Funarte de Criação Literária em 2010, muitas pessoas tem entrado em contato comigo para tirarem suas dúvidas. Com a proximidade do final do edital, pra agora dia 02 de agosto, resolvi compilar algumas dessas perguntas e as respostas. Já alerto que sou concorrente como qualquer um dos que aparecerem por aqui e que, não, eu não conheço ninguém da Funarte ou da Biblioteca Nacional. Repito que é mais fácil eu conhecer grandes do esporte, até mesmo do Ministério do Esporte, já que tenho graduação, mestrado e doutorado na área. Então, anotem, as dicas aqui são de alguém que está tentando romper a barreira literária. E só isso. Alguém que sabe que a barreira é bem grande, e a parede a ser chutada, bem grossa.



Pergunta:  MODELO DE PROJETO PARA A BOLSA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA.
Boa noite caríssima Fernanda [de Aragão]
Passeando pela net tomei conhecimento de seu projeto para a FUNARTE de criação literária. Também sou escritor e gostaria de concorrer esse ano com um projeto meu. Moro no interior do Rio Grande do Norte e me chamo __________, sou Mestre em Letras/UERN, professor substituto do Departamento de Letras, Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia - CAMEAM, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN. Se não for abuso (e se for, me perdoe a ousadia), gostaria de saber o modelo do projeto, se você pode me enviar o seu para que eu possa ter uma noção maior das coisas. Estou acostumado com outros tipos de projetos bem diferentes.
Desde já, grato pela sua valiosa atenção.
Resposta:
Oi ___________, tudo bem? Então, olha só o sufoco que eu passei em 2010, nem da área de letras eu sou. Pra quem é distante do meio, fica um pouco mais difícil saber o que o pessoal da literatura quer ouvir. Fiz meu projeto como um projeto de doutorado, que é o único que sei fazer. Boa sorte pra você, sendo da área, creio que ficará mais fácil pra você do que foi pra mim. ;)
Abraços!


Pergunta: ESCRITORES QUE NUNCA PUBLICARAM, PODE PARTICIPAR?
Oi Fernanda [de Aragão],
Espero que não se importe com o e-mail.
Estava lendo em seu site, o post sobre a Bolsa de Criação Literária - tenho uma dúvida: você já tinha algum livro lançado na época? Porque estou pensando em participar este ano porém fiquei com a dúvida, lendo o edital, se escritores que nunca publicaram são aptos a participar também.
Muito obrigada pela atenção,
Um abraço
Resposta:
Oi ___________, não tinha nenhum livro publicado não. Você pode participar sim. Abraços!


Pergunta: TRÊS PÁGINAS DE PROJETO É POUCO?
Oi, Fernanda [de Aragão], tudo bem?
Viu uns comentários seu no blog de Raquel Cozer e resolvi mandar esse e-mail pra você. Pensei muito, pois não queria ser chato, sabe? Desculpa a invasão, mas eu precisava de umas dicas e creio que a suas serão valiosas. Estou querendo me inscrever no Concurso da Funarte deste ano. Tenho só até o dia 2 de agosto. Fiquei sabendo desse concurso há 2 dias. Estou tentando montar meu projeto, porém ele nem vai chegar a 3 páginas, quem dirá 10. Sei que diz que é até dez páginas, mas o meu está tão magrinho (rsrssr). Tenho a ideia toda do livro na cabeça, mas o que está me fazendo pensar em desistir é esse projeto. Já montei projeto pra minha monografia que começará agora em agosto, mas creio que essa do concurso é diferente. Encadernar três páginas me parece ridículo (rsrs). E quanto ao texto de nossa autoria, tem que ter a ver com o livro que escreveremos ou pode ser outra coisa que escrevemos, como um conto por exemplo?
Se puder me ajudar, ficarei feliz.
Obrigado,
Resposta:
Realmente 3 páginas é muito pouco. Quanto ao texto, escolha uma boa seleção deles. Não precisa ser do livro em questão. Abraços.


Pergunta: O QUE É OBJETIVO, JUSTIFICATIVA, ETC?
Oi, Fernanda [de Aragão], tudo bom?
Meu nome é _______ e sou escritor aqui de Porto Alegre. Decidi me inscrever (pela terceira vez) para concorrer a Bolsa Funarte, e cheguei até o teu site e às tuas dicas. Achei muito bacana, e muito instrutivo. Apenas fiquei com algumas dúvidas, e como tu já foi contemplada com a Bolsa, decidi te escrever e pedir um help, se possível. O meu projeto é uma novela que se passa toda durante um único dia e é sobre uma pessoa que começa a manhã escrevendo um bilhete com "vou me matar antes do fim do dia". O objetivo seria concluir a história, realizar a história como uma peça literária ou o objetivo seria saber se o personagem vai conseguir cumprir seu objetivo até a meia-noite, por exemplo? Te pergunto porque estou quebrando a cabeça tentando escrever um novo projeto, e acho que eles consideram mais a apresentação da proposta, objetivo, justificativa, etc., do que o texto em si, não é? Falando nisso, e a justificativa, seria a justificativa minha para inscrever o projeto (nunca tive um livro só meu publicado, por exemplo) ou a justificativa de porque falar sobre esse assunto (a falta de sentido na vida e o isolamento emocional em que muitos vivem, etc.)? Bom, desculpe te encher com tantas perguntas..:) Se tu tiver na correria e não puder me responder, tudo bem. De qualquer forma, agradeço a atenção.
Um abraço,
Resposta:
Oi ________, tudo bem? Então, vou dizer aquilo que sinto sobre a funarte. Vejo que eles mudaram a forma de projeto para esse ano, daí já me fica um tanto difícil dizer com certeza como será o processo de seleção. O que eu sempre indico, ligue para a Funarte e para a Biblioteca Nacional, eu sempre faço isso nos editais em que participo, para descobrir as coisas. Acho que eles avaliam tanto o projeto em si, quanto o texto. Nesse ano mais 50% entre um e outro que nos anos anteriores. Aumentou o tamanho de páginas do projeto e o número de páginas com textos escritos. Acredito que objetivo seja a elaboração do livro em si. E a justificativa caminhe para isso também, como se fosse um projeto de TCC, que o professor pede na faculdade pro aluno se formar. Boa sorte _______, depois você volta pra me contar se conseguiu. Abraços! Fernanda


Contra Pergunta: E O QUE DIZER DA RELEVÂNCIA CULTURAL?
Oi, Fernanda [de Aragão], tudo bom?
Vou te incomodar mais um pouquinho em relação ao projeto para a Bolsa Funarte, se tu me permite..:) Fiz a justificativa do projeto, e até que ficou bacana, depois de muito quebrar a cabeça e pedir umas dicas para uma amiga minha, que entende mais das linguagens acadêmicas. Queria te perguntar se, além da justificativa para o projeto em si (não tenho ainda nenhum livro individual publicado, por exemplo), é necessária também a justificativa de por que eu quis escrever aquela história, com aqueles personagens e seus conflitos. Li, acho que no teu site, que tu fez a justificativa do livro de contos como encadeados por um tema, e aí tu discorreu sobre o tema. É por aí? E saberias me dizer o que eles esperam quanto a "relevância cultural" do projeto? Tipo, diferenciais narrativos do livro, por exemplo? Desculpe te incomodar com minhas dúvidas, mas como tu teve a gentileza de responder o outro mail, resolvi te escrever de novo, pedindo um help. :)
Um abraço e, mais uma vez, grato,
Contra Resposta:
Oi ________, entende-se por justificativa algo relacionado ao próprio projeto, como produto livro. E relevância cultural é o quanto importante culturalmente pode ser seu livro. Fico contente que já tenha avançado! Abraços!


Mais uma contra pergunta: E A APRESENTAÇÃO, DE QUE SE TRATA?
Oi, Fernanda [de Aragão]! Tudo bom?
Vou te incomodar mais um pouquinho, se não te importa...:)
Fiquei com outra dúvida: a "apresentação" do projeto seria simplesmente dizer "O projeto tal é uma novela dividida em três capítulos", ou tem que dar uma sinopse, tipo: "a história se passa em um dia quente de verão em que o protagonista, uma pessoa cheia de conflitos e que carrega um grande trauma consigo, diz que vai se matar antes do fim do dia"?
Bom, se puder me ajudar, mais uma vez, grato.
Um abraço,
A contra resposta final:
Oi _______, não posso te dar uma certeza disso. Eu apresentaria bem apresentado. Abraços!


Pergunta: ALGUMA DICA SOBRE O MODELO DE PROJETO?
Olá, Fernanda [de Aragão]! Tudo bom?
Meu nome é __________ e escrevo para pedir um favor. Desculpa incomodar, mas já que incomodarei, prefiro ser direto. Estou com um projeto e um texto praticamente prontos para enviar para a bolsa de criação literária, mas realmente tenho algumas dúvidas quanto à redação do projeto. Isso porque apesar de estar envolvido na área de cultura há tempos, acho difícil falar sobre objetivos, impacto social, etc quando penso num projeto de livro. Procurei na internet algum modelo, projetos exemplos, mas não estou encontrando. Encontrei o seu nome, dizendo da importância que foi a bolsa para você. Fiquei me perguntando se seria muito indiscreto pedir um auxílio sobre isso, talvez um modelo de projeto que você enviou.
Além disso, fiquei também curioso quanto ao seu livro.
Bom, é isso. Espero não estar sendo muito inconveniente.
Abraços
Resposta:
Oi ______, não é tão complicado não. Imagine seu livro como um produto cultural e escreva a relevância cultural dele, o quão importante ele será para a arte e cultura. Elabore os objetivos e justificativas a partir daí. Boa sorte com seu projeto! Abraços, Fernanda


Pergunta: O ESTILO DO PROJETO ACADÊMICO E A RELEVÂNCIA CULTURAL.
Oi Fernanda [de Aragão], prazer, desculpe a intromissão. Este contato para duas coisas: Primeiro agradecer tudo que você posta sobre o Escrever e sobre o tentar levar isso mais a sério. No seu site Cinco de Outubro. Sempre importante seus posts. Obrigado. E pra ser um pouco chato até, sei que você já ajudou muito com o próprio blog. Mas eu estou fechando o projeto para a Funarte e nunca tinha feito nada para um edital de literatura assim. Então não sei bem o que estou fazendo, claro. Se houvesse qualquer dica seria de extrema importância pra mim. Obrigado de novo e desculpe mesmo a intromissão. É difícil situar tudo. Meu medo é fazer algo muito acadêmico. Mas é claro que depende da banca, e não dá pra se ter alguma certeza nisso. Mas mais do que isso: Como pensar na minha própria relevância cultural?
Resposta:
Aco que o seredo é acar mesmo um meio termo entre a academia e a literatura. Na verdade quando sugiro que o projeto seja próximo aos projetos acadêmicos, sendo literário, deveria suprimir uma linuagem acadêmica já que a literatura é mais livre e flexível. Quanto a relevância cultural creio que seja interessante pensar no quão enriquecedor será seu livro pra o cenário nacional.


Contra-Pergunta: E O CRONOGRAMA? O QUE DIZER?
O complicado é isso, né? Beirar a demagogia ou perder a mão e parecer prepotente. Mas acho que dá pé. Meu projeto é de poesia. O que me deixa ainda mais perdido. Difícil falar de cronograma quando se fala de criação poética. E talvez eu enquadre o projeto mesmo nisso. Em alguma meta-linguagem que trate da dificuldade da criação poética como Inspiração X musa X suor.
Contra-Resposta:
Cronograma é tranquilo. Prepare-o mensalmente, insira pesquisa, elaboração de texto, seleção de texto, um período pra um primeiro leitor, coisas desse tipo.


Contra-Contra-Pergunta: FINALMENTE ALGUÉM SE INTERESSOU PELO MEU LIVRO, BRAVO!
Ok Fernanda [de Aragão], obrigado por me acalmar.Eu gostaria de comprar seu livro. Apenas pelo pag seguro, ou há alguma outra forma?
Contra-Contra-Resposta:
Ah sim, você pode depositar na minha conta... ;).
Dos muitos que me pedem ajuda, você é o primeiro que se interessou pelo livro, que fiz de forma independente e é um outro caminho que sugiro!

COMPRE O LIVRO LÍNGUA CRONICA
PREMIADO PELA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES 
NO LINK DISPONÍVEL NA PARTE SUPERIOR DESSA PÁGINA, NO CANTO DIREITO. 
A AUTORA AGRADECE! 




Contra-Contra-Contra-Pergunta: POSSO PARTICIPAR DO EDITAL COM UM LIVRO NO PRELO?
Alias, eu tenho um livro quase publicado já. A editora é laboratório da edusp e ficou no prelo um ano e meio quase. Mas sai agora final de agosto. Acho que pra esse edital não há problema né, acho que o limite é dois?
Contra-Contra-Contra-Resposta:
Não ha problemas não, pode publicar.


Desespero Final: E AI, VAI LIBERAR SEU PROJETO COMO MODELO?
Ah, apenas um pequeno último ato desesperado. Sei também ser pouco possível mas não podia deixar de arriscar. Ainda mais sendo você tão atenciosa: Não haveria a menor possibilidade de eu ter acesso a uma parte ou ao seu projeto que passou? Ah isso é horrível de se fazer, mas eu precisava tentar. (rs).
Resposta Final:
É, não tem! Mesmo porque o edital modificou de lá para cá.


Pergunta: QUE TIPO DE TEXTO APRESENTAR, UM FRAGMENTO? E O TAMANHO DO PROJETO?
Oi Fernanda [de Aragão]!
Me chamo _________, sou jornalista, de Fortaleza. Estava pesquisando sobre o Edital Funarte de Criação Literária e acabei me deparando com seu texto, “O que eu aprendi com a Bolsa Funarte de Criação Literária”. Vou me inscrever para a bolsa deste ano e estou com algumas dificuldades e dúvidas. Quando você se inscreveu, era necessário enviar um texto de sua autoria? Esse texto já deve ser um fragmento do projeto que será desenvolvido? É apenas um texto ou podem ser várias?
Liguei para a Funarte e a pessoa que atendeu disse que não deveria ser referente ao projeto, pois os jurados poderiam achar que era um projeto já em andamento e isso faria perder ponto (o que eu acho estranho, pois acredito que seria interessante ver um pouquinho do que se pretende escrever). De qualquer forma, a mesma pessoa também disse que esse texto (ou textos) poderia ser identificado, mas quando li novamente o edital, vi que nem projeto nem texto devem ser identificados. Então fiquei com receio de a informação estar errada.
Sobre o projeto em si, você acredita que é melhor um documento mais enxuto? A apresentação do projeto deve ser curta, de um parágrafo apenas, ou é melhor desenvolvê-la mais? Você tem algum modelo de projeto da Funarte. Não o seu, mas algo no qual eu possa me basear? Seu projeto teve quantas páginas? Eles pedem até 10. Você acha muito. Acha que isso interfere, já que serão tantos projetos lidos.
Desculpa chegar incomodando assim, mas esse edital é uma grande chance para mim. Aguardo seu retorno. Um abraço,
Resposta:
Oi ________, minha sugestão é fazer exatamente o que o edital pede. E usar todas as páginas possíveis. As regras de quando me inscrevi e as de agora mudaram. Na ocasião eu coloquei textos que estavam prontos, que iam pro livro. Também nem posso passar meu projeto, porque naquela ocasião eles pediam 10 páginas com tudo, projeto e texto. Agora dá pra escrever 30 páginas. Recomendo mesmo utilizar toda a potencialidade do edital, descobrir que tipo de material eles se interessam, pois vejo esses editais como um contrato de trabalho, vão pagar 15 mil por um serviço que eles imaginam de uma determinada forma. O desafio é mesmo esse de achar a forma certa. Confie na sua intuição. Abraços, boa sorte, Fernanda.


Pergunta: QUE TIPO DE TEXTO ENVIAR, AFINAL?
Oi Fernanda [de Aragão], tudo bom? Li teu comentário no blog da Raquel Cozer, sobre o edital da Funarte, e queria tirar uma dúvida com você, já que estou me inscrevendo e todo o processo me parece confuso. Quando você disse que mandou 10 páginas de produção sua, eram textos quaisquer ou parte da obra final? É isso, beijo e obrigada!
Resposta:
Oi _________, mandei partes do livro de contos e partes que não entrariam no livro. Boa sorte com a funarte! É uma bolsa bacana mesmo! Desculpe a demora para responder! Beijos!

Pergunta: O EDITAL DE CRIAÇÃO LITERÁRIA DEVE PREVER A PUBLICAÇÃO?
Olá Fernanda [de Aragão], bom dia!
Navegando, te encontrei. Ao ver sua experiência e generosidade, tomo a liberdade de ir diretamente ao assunto: peço ajuda. Estou tentando entender o edital para concorrer à Bolsa Funarte/BN de Criação Literária 2012. Minha maior dúvida: se é um Edital para Criação, no projeto, a ser enviado, deve ou não constar/prever (e tudo que isso implica) a produção do "produto" final livro? Ou, sendo um edital de Bolsa de Criação, esse apoio contemplaria a criação literária em si, possibilitando o tempo e a disponibilidade integral necessárias (sem levar em conta orçamentos, cronogramas, etc, de uma publicação)? O que vc acha, sugere, entende? Devo ou não inserir as implicações do produto final - publicação livro no projeto a ser enviado? Quando vc foi contemplada, no seu projeto estava inserida uma publicação como objetivo?
Agradeço desde já sua atenção. Aguardo retorno.
E parabéns pelo seu trabalho, minha admiração!
Resposta:
Comparando a vez que eu me inscrevi na funarte e este edital de agora vejo que muita coisa mudou. Sugiro que você ligue pra Funarte, depois pra Biblioteca Nacional e converse com os responsáveis. Eu pelo menos faço isso direto pra saber o que eles pensam. Mas acredito que isso que me pergunta seja um tanto indiferente. Acho que estará em pauta a qualidade do seu texto literário e a elaboração do projeto mesmo. Boa sorte no seu projeto! Fernanda.

Contra-Pergunta:
A minha questão deve-se ao fato de que se no que eles chamam de criação contiver expectativa de uma publicação, isso implica em enviar no projeto etapas como cronogramas e orçamentos diferenciados e detalhados, com realação a isso. Caso seja apenas apoio para o tempo disponibilizado para a criação textual, o projeto seria outro, entende? Volto a te perguntar: quando você ganhou, seu projeto incluía uma publicação como produto/objetivo final? Parece-me que para tal o usual é vir, como título do Edital, algo como: Edital de produção/publicação literária e não Edital de Criação... você não acha? Estou em conversa por email com a BN, vamos aguardar novas respostas.
Contra-Resposta:
A bolsa é para escrever um livro completo. Ao final de seis meses, esse conteúdo deverá estar completo para possível publicação. Não que você vá publicar com o dinheiro. Não. É bolsa de criação mesmo. Mas eles vão querer ver o produto, que vai passar por nova reavaliação já que eles mesmos poderão querer publicá-lo. Ainda não vi seu blog não. Abraços. 

Pergunta: AGRADECIMENTOS!
Oi, Fernanda [de Aragão]! Andei olhando o "cinco de outubro" atrás de informações sobre esse projeto da Funarte. Vim aqui te agradecer pelo que você escreveu por lá e, se possível, tirar mais algumas dúvidas que ficaram. Beijo!
Resposta:
Oi ___________, obrigada! Estou por aqui... só perguntar... não que eu saiba responder sobre tudo, claro, estamos todos tateando o assunto. Você vai escrever algum projeto? Beijos


Contra-Pergunta: E QUAL GÊNERO É O MAIS INDICADO?
Entendo! Mas você deu uma iluminada legal no assunto. Tô na correria. Nem sabia da existência dessa bolsa de criação literária até alguns amigos me ligarem insistindo pra eu me inscrever. Esse ano comecei a vida de concurso cultural, sabe? Fui finalista do concurso de Poesia Encenada do SESC. Adorei! Pois bem. Decidi o tema. Tô começando a apresentação e marcando o tempo no relógio mesmo pra fazer tudo direitinho. Ah! Teu projeto foi sobre um livro de crônicas mesmo? Tinha algo a mais? Porque eu tenho uma veia poética forte e queria mesclar outros gêneros no projeto e o edital não deixou isso claro, se eu poderia ou não fazer. Surgindo qualquer outra dúvida, eu vou a falar contigo. Beijo!
Contra-Resposta:
Oi ____________, fiz um projeto de livro de contos para a funarte. Um projeto com vários contos de uma mesma temática. Mas acredito que você possa inovar o seu sim, com várias linguagens, o importante é saber fazer bem a justificativa. De qualquer maneira, quando se trata de edital, eu, particularmente, faço sempre o que eles querem, exatamente. Beijos!


Contra-Contra-Pergunta: QUE TEXTOS APRESENTAR? UM ÚNICO OU FRAGMENTADOS?
Sem problemas, acredito que sejas bem ocupada. Ta ok, Fernanda [de Aragão]! Agradeço muito a atenção. O projeto tá quase pronto, a ideia demorou a surgir, mas consegui firmar bem a apresentação. Ah! E as páginas que eles pedem pra enviar junto com o projeto... São 20 páginas corridas ou 20 diferenciadas? Eles não comunicaram no edital. Beijo e bom domingo!
Contra-Contra-Contra-Resposta:
20 páginas com textos! Do jeito que você quiser montar. Beijos!


Pergunta: MAIS DICAS SOBRE O MODELO DE PROJETO.
Fernanda [de Aragão], tudo bom?
Vi alguns depoimentos seus sobre a Bolsa Funarte de Criação Literária, bem como sobre sua experiência com projetos de doutorado. Eu venho de um mestrado, também tenho familiaridade com projetos-para-a-Fapesp, mas ainda assim (acho que me compreende) fico com um pé atrás quanto às especificidades do projeto para a Funarte (e, nesse ano, para a BN). Não sei se é abusar da sua boa vontade, mas você chegou a publicar o seu projeto em algum blog? Gostaria de ter um parâmetro quanto ao detalhamento do processo criativo e o nível de aprofundamento da trama.
Agradeço desde já,
Resposta:
Oi ________, não publiquei não, mas olha, fiz como se fosse um projeto de doutorado mesmo, literalmente. acho, inclusive que foi o que me colocou dentro da lista. Criei um livro com uma unidade (o meu era de contos) e mandei ver como se fosse pra eu entrar num programa de doutorado. Tudo muito bem iguazinho mesmo! Ah sim, justifiquei a trama como se fosse um doutorado: por que a escolha dela e coisa e tal. Você vai propor um romance? Beijos.


Pergunta: NA EXPECTATIVA.
ei, Fernanda [de Aragão], estava procurando algumas coisas sobre a bolsa de criação literária da Funarte e encontrei um depoimento seu, e então, resolvi entrar em contato, espero que você possa se corresponder comigo.
Abraço,
Resposta:
Oi ______! Seja bem vinda! Você está escrevendo um projeto pra Funarte? Abraços!

24.6.12

A regra do jogo literário


Sobre editais literários, prêmios e concursos sempre me vem o pensamento de que, ao me decidir participar de algum deles, automaticamente aceito as regras do jogo.

Meu livro de contos, o mesmo que recebeu a bolsa funarte em 2010, talvez não receberia essa em 2012. Tem novas regras. Ou talvez não tenha ficado claro, no projeto que escrevi, a carga de peso que os contos teriam. Aliás, o paradoxo é sempre evidente no meio literário onde a avaliação é sempre subjetiva. Inscrevi o livro de contos que resultou da Bolsa Funarte de Criação Literária no Prêmio Sesc e sequer chegou perto. Na outra ponta, o mesmo projeto não conseguiu o Proac. Também as editoras têm suas predileções editoriais para um ou outro tema, uma ou outra forma de tratar a literatura. Gênero, estilo, tema, quem você conhece.

Não vejo essa subjetividade como algo assim tão tenebroso. Mas vejo facilmente a regra do jogo. Existiu um motivo que, para um determinado edital, tornou um ponto importante, essencial para atingir determinadas metas e/ou interesses. E escrever um projeto literário com o fim de receber uma bolsa, prêmio ou concurso não tem jeito, é adequa-lo ao edital, ao prêmio, ao concurso. E isso é perfeitamente possível. Como é possível escrever um projeto de mestrado, e cumpri-lo, um de doutorado, e cumpri-lo um plano de negócios, e cumpri-lo, um plano para daqui 10 anos, um relatório de metas.

Não adianta querer escrever um projeto literário que fala sobre borboletas azuis para concorrer a uma bolsa que diz que não seria legal escrever sobre borboletas azuis. É dar murro em ponta de faca. Nada contra quem quer ser transgressor, mas não me parece inteligente.

Nada adianta escrever um projeto de mestrado ou doutorado com um foco numa instituição que não tem a linha de pesquisa pretendida pelo pesquisador em questão. Em outras palavras, apresentar um projeto sobre borboletas azuis se o orientador só estuda vulcões vermelhos não me parece inteligente.

O fato é que a literatura nunca será só inspiração. Talvez a maior parte dela seja suor mesmo. Talvez trabalhar a criatividade seja suor, sentar na frente do computador e demorar 4 horas para escrever uma única frase. Por isso que não adianta tentar se inscrever em algo que você não acredita. A literatura é uma instituição. E tem suas regras.

Mas há uma possibilidade evidente em todo processo subjetivo como o de escrever. E ler. E esse esforço ganhará seu espaço transgressor e de visibilidade. Se distinguirá independente dos editais, dos prêmios e concursos literários; das regras que proíbem borboletas azuis.

É apenas preciso saber jogar.

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